Meu nome é Nanci Lissa, tenho 25 anos, sou nikkei nissei (filha de japoneses), nasci no Rio de Janeiro, passei parte da infância em São Paulo, e moro há 17 anos no Japão. Desde o nível fundamental até o superior estudei no Japão e hoje trabalho no Atmark Inter-Highschool, uma escola internacional por correspondência. Falo japonês, inglês e português, mas acho que minha proficiência em todas elas ainda é desejável. Gosto de esportes, tais como basquetebol, voleibol, tênis e também sou fã de um karaoke.Ao entrar na faculdade, procurei ter mais contato com brasileiros e, assim, comecei a participar de um grupo de voluntários que ensinava português a crianças brasileiras na região de Tsurumi, Yokohama. Dediquei-me por dois anos a crianças do chugakko (ginásio), ajudando-os nos estudos e ouvindo os seus desabafos.
Como eu cresci no Japão e não sabia nada sobre o meu país de origem, vivia procurando um meio de voltar ao Brasil e conhecer melhor a mim mesma também. Finalmente, em 2005, através do Dr. Daisuke Onuki, de uma ONG brasileira (hoje professor da Universidade de Tokai, Kanagawa) tive a oportunidade de trabalhar por 7 meses como voluntária da Associação Comunitária Monte Azul em São Paulo e viajar pelo Brasil afora.
Formei-me na faculdade em 2006 aqui no Japão, e atualmente trabalho num colégio (segundo grau) por correspondência e internet onde começamos o atendimento em português recentemente. A situação dos jovens e crianças filhos de migrantes aqui no Japão é complexa. Eu me preocupo muito com o futuro deles. Por esse motivo escolhi trabalhar no ramo de educação, pois quero ajudar aqueles que passam pela mesma dificuldade que passei.
Hoje em dia sinto que tenho várias opções sendo uma nikkei brasileira. Conheço os dois países, e posso me comunicar em vários idiomas. Porém, me sinto prejudicada por não ter direito ao voto aqui, apesar de ter crescido, morar e trabalhar no Japão. Apesar dos prós e contras, poderia morar em qualquer um dos dois países, desde que tenha algo para fazer. Viveria feliz em qualquer lugar onde me sentisse útil de alguma forma.
